
Hoje percebi que vou morrer.
Não, não é daquelas constatações óbvias.
Sabem, olhei para mim, para este corpo, que também sou eu, e soube.
Merda, eu também vou morrer. Não acontece só aos outros.
E chorei. E desesperei-me. Não, não quero. Ouso dizer que fiz birra. E zanguei-me. Eu quero ficar aqui para sempre. Eu quero!
E que aqueles que eu amo não morram NUNCA!
Eu quero!
Eu quero...
Encolhi-me a um canto. Chorei com a chuva.
Saber que vou morrer é uma tristeza que eu tenho.
Saber da morte é também saber do milagre da vida.
É saber de saborear "este instante" em que estamos juntos.
É sugar cada instante até à última gota
É saborear este prazer de escrever que me anima a alma.
É ser gestora do meu tempo.
Como posso priorizar a obrigação, se o meu tempo está em contagem decrescente?
Como posso ousar desperdiçar bem tão precioso?
Gosto de fechar os olhos e sentir a carícia do vento.
Como amo o cheiro a terra molhada.
A comida da querida mãe preenche-me de amor.
Um abraço do amado filho faz cair uma lágrima de comoção.
Amo cada som, cada tela, cada escultura, cada poema, cada peça, cada sorriso, cada abraço...
Coloco o despertador para tocar… sempre que me desviar do meu caminho...
